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Isabel Allende

por Adriana Messias, em 27.06.18

Gosto tanto de ler quanto gosto de animais. Gosto tanto que tenho aproximadamente 3 biliões de livros comprados por ler no meu quarto porque não consigo ver um livro que goste e deixá-lo na loja (estou em treinos e estou a ficar melhorzinha!).

No entanto nunca gostei dos típicos livros de meninas. Aquelas histórias de amor exacerbadas que em que a pessoa lê o título e já sabe com 98% de certeza como a história vai acabar. Sempre gostei mais de livros que me fizessem pensar, com significados escondidos e que me obrigassem a parar de ler para refletir sobre a vida. Gosto daqueles livros que nos engolem completamente e nos deixam a vivenciar tanto a história que cada acontecimento é marcante e as personagens já são membros da nossa família.

Li o primeiro livro da Isabel Allende em 2013, no Porto Santo. Comprei-o lá, numa pequenina feira do livro que fazem todos os anos em agosto, mais precisamente no dia 8 de agosto de 2013 (benefícios de quem escreve a data e memórias de onde o livro foi adquirido na primeira página do mesmo. Loucos!) depois de, em busca do livro perfeito para as férias, o meu pai me ter dito que eram uma das escritoras preferidas da minha mãe, o que se revelou mais tarde como sendo mentira, mas foi um excelente erro. Lembro-me perfeitissimamente de o ler, de andar carregada com ele de um lado para o outro e de esperar pelo meu almoço no bar da praia do hotel enquanto lia. O livro que comprei chama-se O Caderno de Maya. Não preciso de pensar muito para me recordar de como o escolhi, escolho os livros todos da mesma forma. Primeiro pelo título, depois pela contracapa e por último e mais importante o último paragrafo da última página.

Veio do Porto Santo comigo direto para o Alentejo, um dos melhores sítios para se ler, à torreira do sol de agosto, sentada à sombra ao pé da piscina com as pernas a colarem-se à cadeira e sempre acompanhada pelos meus três cães. Li-o de uma assentada e são poucos os livros que têm este efeito em mim, é muito raro eu não ir intercalando entre livros, só por isso já diz muito sobre o que eu acho dos mesmos.

Vamos então focar-nos no assunto principal, a minha escritora preferida tinha de ser a Isabel Allende. O Caderno De Maya foi uma viagem fantástica e deixou-me a querer ler mais e mais livros dela. Porquê? Ora, a Isabel tem uma excelente capacidade descritiva não maçadora que me faz ter a capacidade de imaginar tudo sem morrer de tédio, a escrita é divinal, fluida e cativante desde a primeira palavra, mas não são certamente estas as características que me fazem gostar tanto dos livros dela. As histórias que conta é que são do outro mundo. Todas elas têm um bocadinho do Chile o que me deixa encantada, não sei se pela descrição que faz se pelo meu amor profundo aos países da América do Sul e Central ou por porventura noutra vida ter passado por lá, não sei porquê, mas só isso já me deixa fascinada. Depois as personagens principais são sempre mulheres com m grande que não precisam de histórias de amor de contos de fadas nem de um príncipe encantado que as enalteça e ainda que sejam sempre mulheres, são muito diferentes umas das outras, mas sempre com o mesmo espírito (ainda que algumas sejam do seculo 19).

É raro o livro que eu não sinta uma montanha russa de emoções. Há alturas que fico até zangada, não quero ler mais porque me irrito com o que aconteceu ou porque me deixa tão revoltada que só tenho vontade de espezinhar o livro e nunca mais o ler. Os meus momentos de fúria rapidamente me passam, mas esta capacidade que a autora tem de criar emoções tão fortes no leitor através da descrição e do amor que nos faz ter às personagens só pode ser de louvar.

Todos os livros que tinha dela já tinha lido e andava de olho noutro, mas no outro dia vi no continente um com 50% de desconto e comprei, chama-se Filha Da Fortuna. O último livro que li foi a Casa Dos Espíritos e já foi há algum tempo, de tal forma que quando comecei a ler este novo foi como se tivesse voltado a casa e senti necessidade de escrever sobre o assunto.

Existem vários escritores de quem gosto bastante, mas efetivamente a Isabel Allende tem um lugar muito especial no meu coração. Não tenho dúvidas de que um dia ainda vou ler todos os livros que escreveu e será, como sempre, um enorme prazer.

Experimentem, não se vão arrepender.

 

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Must Watch

por Adriana Messias, em 20.06.18

Não costumo analisar filmes. Acredito que cada pessoa, com os seus gostos próprios e as suas próprias perspetivas, tenha opiniões diferentes o que torna difícil definir algo como bom ou mau. No entanto, existem alguns que não devem passar ao lado de ninguém e este é um deles.

Vi o “Love, Simon” há uns dias (antes da loucura da semana de frequências me abalroar à força toda) e soube, enquanto o estava a ver que tinha de escrever sobre o assunto.

O post de hoje não é necessariamente sobre o filme em si. Não importa se o filme está bem feito, se a banda sonora é boa, se as personagens estão bem vestidas ou se as perspetivas das camaras estão adequadas. O post de hoje é sobre a mensagem. A mensagem tão, mas tão importante que este filme passa.

Para quem não sabe do que falo “Love, Simon” é um filme sobre a homossexualidade, onde nos apresentam um rapaz perfeitamente normal, mas que é gay e o objetivo é mostrar aos espectadores as dificuldades que este pequeno pormenor cria na vida da personagem principal (Simon). É tudo tão verdadeiro, tão cru e tão real que não passa de uma chapada de luva branca a todos aqueles que ainda consideram a não heterossexualidade como algo errado.

E por isto acho que o filme é essencial. Não só para mostrar ao mundo aquilo que uma pessoa normal tem de ultrapassar só porque não se sente sexualmente atraída por pessoas do sexo contrário mas também para pegar na mão destas pessoas e mostrar-lhes que não estão sozinhas e que aquilo que enfrentam e sentem todos os dias como diferentes não passa de dificuldade de compreensão de uma sociedade incapaz de aceitar que o cérebro humano é demasiado perfeito e diferenciado para se reger pelas regras “naturais” de animais sem raciocínio lógico matemático.

Em mim (ser extremamente liberal em quase todos os aspetos desta vida) o filme teve um efeito muito próprio. Nos últimos dois anos da minha existência tive o enorme prazer de conhecer pessoas que não são heterossexuais como eu. E ainda que eu sempre tinha sido a favor da homo e bi sexualidade a minha relação com estas pessoas teve uma grande influencia na forma como eu agora vejo o mundo. E foi por os conhecer a eles, às histórias que têm para contar e ao seu dia a dia que o filme me assentou de forma particular. Foram as dificuldades que o Simon enfrentava, algumas delas provocadas por heterossexuais retrógrados que mais me chocavam e deixavam triste. Como é possível que, aquelas pessoas que são exatamente iguais a mim tenham de sofrer tanto por um pormenor que devia ser da treta. Como pode esta diferença causar tanto sofrimento desnecessário. Como podem as pessoas serem más ao ponto de não permitirem a felicidade dos outros e de os fazerem sentir anormais quando são tão estupidamente normais.

Na minha opinião só o facto de haver nomes para identificar a sexualidade de cada um já é discriminatório. Não existe motivo nenhum para termos de enfiar as pessoas em caixas. Ora quem é que me diz que lá por até aos meus 20 anos de idade eu só ter gostado de rapazes isso significa que não me vou apaixonar nunca por uma mulher? Então e se daqui a mais 20 anos eu me apaixonar perdidamente por uma, passo a ser bissexual? Não seremos nós todos bissexuais? Quem é que vos garante a vocês que são héteros que o vão ser para o resto da vida? E porque é que isto é sequer motivo para inquietar almas que não querem por nada que isso aconteça? Como já disse antes, a capacidade do cérebro humano é tao infindável que só deus sabe aquilo que nos reserva. Ainda por cima nestes tempos em que o meu pai acredita piamente que a minha geração ou já não vai morrer ou vai viver muitos muitos anos.

Para além de me ter deixado com as lagrimas nos olhos por imaginar os meus amigos naquelas situações ridículas e desnecessárias espero que sirva para educar as pessoas…para que pensem nas suas reações diárias e naquilo que fazem (se calhar sem maldade e na brincadeira) e como o que fazem pode influenciar tanto a vida dos outros. O amor e a felicidade são demasiado preciosos para serem deixados à merce do que é espectável que aconteça.

Obrigada aqueles que me apareceram na vida e me fizeram ver o mundo de forma ainda mais aberta. Estou-vos eternamente agradecida por tudo aquilo que já me ensinaram e contem comigo para dizer mal de todos os homofóbicos do mundo.

Love,

Adriana.

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