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Must Watch

por Adriana Messias, em 20.06.18

Não costumo analisar filmes. Acredito que cada pessoa, com os seus gostos próprios e as suas próprias perspetivas, tenha opiniões diferentes o que torna difícil definir algo como bom ou mau. No entanto, existem alguns que não devem passar ao lado de ninguém e este é um deles.

Vi o “Love, Simon” há uns dias (antes da loucura da semana de frequências me abalroar à força toda) e soube, enquanto o estava a ver que tinha de escrever sobre o assunto.

O post de hoje não é necessariamente sobre o filme em si. Não importa se o filme está bem feito, se a banda sonora é boa, se as personagens estão bem vestidas ou se as perspetivas das camaras estão adequadas. O post de hoje é sobre a mensagem. A mensagem tão, mas tão importante que este filme passa.

Para quem não sabe do que falo “Love, Simon” é um filme sobre a homossexualidade, onde nos apresentam um rapaz perfeitamente normal, mas que é gay e o objetivo é mostrar aos espectadores as dificuldades que este pequeno pormenor cria na vida da personagem principal (Simon). É tudo tão verdadeiro, tão cru e tão real que não passa de uma chapada de luva branca a todos aqueles que ainda consideram a não heterossexualidade como algo errado.

E por isto acho que o filme é essencial. Não só para mostrar ao mundo aquilo que uma pessoa normal tem de ultrapassar só porque não se sente sexualmente atraída por pessoas do sexo contrário mas também para pegar na mão destas pessoas e mostrar-lhes que não estão sozinhas e que aquilo que enfrentam e sentem todos os dias como diferentes não passa de dificuldade de compreensão de uma sociedade incapaz de aceitar que o cérebro humano é demasiado perfeito e diferenciado para se reger pelas regras “naturais” de animais sem raciocínio lógico matemático.

Em mim (ser extremamente liberal em quase todos os aspetos desta vida) o filme teve um efeito muito próprio. Nos últimos dois anos da minha existência tive o enorme prazer de conhecer pessoas que não são heterossexuais como eu. E ainda que eu sempre tinha sido a favor da homo e bi sexualidade a minha relação com estas pessoas teve uma grande influencia na forma como eu agora vejo o mundo. E foi por os conhecer a eles, às histórias que têm para contar e ao seu dia a dia que o filme me assentou de forma particular. Foram as dificuldades que o Simon enfrentava, algumas delas provocadas por heterossexuais retrógrados que mais me chocavam e deixavam triste. Como é possível que, aquelas pessoas que são exatamente iguais a mim tenham de sofrer tanto por um pormenor que devia ser da treta. Como pode esta diferença causar tanto sofrimento desnecessário. Como podem as pessoas serem más ao ponto de não permitirem a felicidade dos outros e de os fazerem sentir anormais quando são tão estupidamente normais.

Na minha opinião só o facto de haver nomes para identificar a sexualidade de cada um já é discriminatório. Não existe motivo nenhum para termos de enfiar as pessoas em caixas. Ora quem é que me diz que lá por até aos meus 20 anos de idade eu só ter gostado de rapazes isso significa que não me vou apaixonar nunca por uma mulher? Então e se daqui a mais 20 anos eu me apaixonar perdidamente por uma, passo a ser bissexual? Não seremos nós todos bissexuais? Quem é que vos garante a vocês que são héteros que o vão ser para o resto da vida? E porque é que isto é sequer motivo para inquietar almas que não querem por nada que isso aconteça? Como já disse antes, a capacidade do cérebro humano é tao infindável que só deus sabe aquilo que nos reserva. Ainda por cima nestes tempos em que o meu pai acredita piamente que a minha geração ou já não vai morrer ou vai viver muitos muitos anos.

Para além de me ter deixado com as lagrimas nos olhos por imaginar os meus amigos naquelas situações ridículas e desnecessárias espero que sirva para educar as pessoas…para que pensem nas suas reações diárias e naquilo que fazem (se calhar sem maldade e na brincadeira) e como o que fazem pode influenciar tanto a vida dos outros. O amor e a felicidade são demasiado preciosos para serem deixados à merce do que é espectável que aconteça.

Obrigada aqueles que me apareceram na vida e me fizeram ver o mundo de forma ainda mais aberta. Estou-vos eternamente agradecida por tudo aquilo que já me ensinaram e contem comigo para dizer mal de todos os homofóbicos do mundo.

Love,

Adriana.

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