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Faith

por Adriana Messias, em 27.09.18

Acredito em Deus.

Acredito que existe alguma coisa superior a mim que de certa forma vai orientando a minha vida. Acredito no destino e no Karma. Porquê? A resposta é muito simples, porque me faz dormir melhor à noite.

Costumo escrever sobre o que me transcende, tudo aquilo que, por qualquer motivo deixou de ser capaz de caber só na minha cabeça e teve de passar para o exterior. Já tinha este tema em mente há bastante tempo e hoje é o dia. Vamos falar sobre crenças.

Inicialmente a crença em Deus foi-me imposta pela sociedade em que vivo e pela minha família. Ser batizado antes de se conseguir falar é o normal. Eu não teria sido uma exceção se não fosse o meu avô doente ter sido internado poucos dias antes do acontecimento o que deu origem ao cancelamento do mesmo e até a um adiamento vitalício porque quem acredita em Deus acredita no Diabo também. Nunca fui a catequese mas a igreja e Deus eram seres presentes no Alentejo das mil avós que se divertiam a vestir as meninas de branco e a levar-me à missa numa tentativa desesperada de me fazer parecer pertencente aquele mundo quando nem o pai nosso sabia (um desgosto enorme para a minha avó). Nunca questionei nada do que se dizia, até porque o meu cérebro andava preocupado com questões mais importantes tipo o novo episodio dos morangos com açúcar e o que seria o jantar naquele dia, para além de que as orações até eram engraçadas e gostava de cantar as músicas.

Quando fiz 13 anos e o meu cão morreu questionei tudo. Lembro-me de ele estar internado já velhinho e eu ter levado ao pescoço todos os meus colares com cruzes relativos a Deus e rezar várias vezes desesperadamente para que ele não morresse. Tendo em consideração que tinha 13 anos de vida e a esperança media eram 14 as minhas preces não foram propriamente tidas em causa e eu lá tive de suportar o fardo daquela morte. Achei um enorme desrespeito e entrei em guerra com toda a minha fé. Não que fizesse grande diferença no meu dia a dia, mas guardei os colares e as orações e reduzi-me a minha insignificante existência.

Não me lembro quando foi o momento em que voltei a considerar a questão, mas sei que este ano me mergulhei um pouco no mundo da fé e regressei com algumas convicções que deixam tudo bem claro na minha cabeça. Não acredito que exista um homem a passear-se pelo universo com um ar supremo e que vai lançando magias por todo o lado fazendo tudo acontecer. Acredito em algo superior que me vai guiando pela vida conforme eu a decida ir fazendo, mas passando sempre por certos pontos importantes, por isso acredito no destino e na ideia de que está escrito. Isto porque me deixa ansiosa pensar que posso estar a desperdiçar a minha vida…e assim fico mais sossegada porque aquilo que me estiver destinado há de me acontecer quando tiver de acontecer. Parece estapafúrdio, mas a realidade é que nunca haveremos de saber se Deus existe mesmo ou não…então se vamos acreditar ou não há de sempre ser por paz de espírito e não por evidências científicas. E não há nada mais importante que paz de espírito.

Todos acreditamos em qualquer coisa, seja ela qual for. Há sempre qualquer coisa que nos faz suportar a vida quando está insuportável e quando todas as incertezas nos assombram. Não tem de ser um ser superior…pode ser qualquer coisa. Todos temos essa coisa. O mais importante sobre as crenças e a fé não é no que acreditamos, mas sim o que isso faz com a nossa vida. Se as nossas crenças e a fé nos fazem sermos seres melhores, mais felizes ou mais descansados não há motivo nenhum para não acreditar. Se não acreditar tem efeitos mais positivos vamos não acreditar.  Se acreditar em Deus me deixa em paz por que motivo haveria de querer contrariar essa fé? Não a quero contrariar, vivo bem assim.

Não importa se é verdade ou não, desde que não interfira com a liberdade de ninguém e não seja prejudicial para ninguém então façamos aquilo que nos deixa sentir melhor.  

“If it costs you your peace it’s too expensive”.

Praised be. 

P.s.: obrigada à criatura que me obrigou a expulsar o tema da minha cabeça hoje, pode ser que pague o livro

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